quarta-feira, 10 de março de 2010

Conversa De Botas Batidas



Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair

domingo, 7 de março de 2010

O Mito Do Insubstituível



A verdade meu amor, a triste verdade
É que não existe saudade nos braços de outro alguém
E mesmo quando eu peço piedade
A liberdade opcional descobre o seu próprio fim
E eu achando que o amor, que o amor existia
E você se calava e sorria, só ria, só.
Imóvel, tudo aqui é perfeito
Mas por que se diz direito, trocando de par assim?
Se já não basta ser quem eu sou
Mas vou guiando
A fé está.

terça-feira, 2 de março de 2010

Você é a minha esperança



"O tempo presente é o único no qual podemos reparar o passado e construir o futuro."



Eu não posso te dizer o que você é, eu até queria, mas eu não consigo, eu não posso te dizer. Você tem que descobrir o que você é. Você tem que se descobrir, descobrir suas vontades seus prazeres, descobrir os seus amores. Você é um mar de gira-sóis apontando pra luz amarela que brilha forte no horizonte. Você é aquele reflexo sinuoso prateado que a lua faz nas águas da praia. É a gota d'água que tem vida. Uma nuvem que serve de urso, de sorvete, de coração, depende dos olhos de quem estiver vendo. Um furacão de sensações, um vento forte, a força do que acha certo. Você é a maior montanha do mundo, colossal, o maior obstáculo de todos, onde só os mais destemidos tentam ultrapassar. Você é a lágrima e o sorriso ao mesmo tempo, você é que os une. É a espreguiçada mais gostosa após cada noite de sono. Um pequeno tesouro daqueles que uns dizem ser nada demais, mas que tem o real valor de tesouro pra quem consegue enxergar o valor. A flor branca dos campos que atrai mais abelhas, levando o seu néctar à colmeia. O fogo que aquece, que conforta, que machuca, que queima. Você é de tudo um pouco e de nada muita coisa. Não posso te dizer o que você é. Você é a minha boca e o meu coração. Você é nada mais que a vontade de chegar ao final da corrida, vencer o campeonato e levar a taça pra casa em cima de um caminhão de bombeiros no desfile que para o país. Você é menos do que universo, mais que o sol e igual a Vênus. A vontade de fechar os olhos ao dar um abraço extenso. As bochechas vermelhas de quando se recebe um elogio. O frio na barriga de quando se recebe um olhar afetivo da paixão secreta. Você é o amor e a luz que há de estar aqui. A união das essências contidas no frasco do perfume mais doce. Você é você. Mas é sério, eu não posso dizer o que você é, eu não consigo. Você tem que descobrir o que você é. Eu só ajudo.

O Beijo Letal



Veja bem, tudo tem seu limite. Pronto, falei o que mais queria, vamos lá. Me enrola que eu gosto, vai, me enrola nos lençóis e joga da cama. Vem deslizando por eles e puxa meu travesseiro, vem. Tira meu fôlego, nem precisa de muito, só me olha nos olhos quando me vir. Segura a minha mão pra eu suar frio e ter calafrios que vem voando com esses seus pensamentos perversamente agradáveis. Dirija a palavra a mim pra me ouvir gaguejando sem parar, não conseguindo completar uma frase sequer, tentando virar os olhos como meio de me conformar que o sonho é real. Me dá um abraço que eu demonstro completamente e com exatidão como é ser um uma pobre alma que transborda nervosismo por todas as partes do corpo. Um beijo no rosto e é certa a vinda da inconsciência, eu acho, tenho certeza que eu desmaio sem delongas. Agora, no caso agravante e quase surreal de um beijo de verdade, todo cuidado não é pouco, é desnecessário em seu simples ser, o beijo pode e será letal.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Desistir é uma opção? Então eu desisto de desistir!




Pode vir, vem, pode vir o furacão. Eu não vou mexer um músculo, não saio daqui por nada. Não adianta, eu não vou desistir. Vou ficar estático exatamente nesse lugar, e assim virá um mar de palavras sem igual, incondicionalmente decisivas. "E se perguntar eu assumo a minha covardia". Era totalmente possível não magoar, difícil agora é ouvir não falar. Não é muito fácil não querer lembrar de tudo que ficou pra trás, muito menos de erros que cometi, só que eu não vou omitir, não vou guardar pra mim, vou ficar parado e aguentar a tempestade que for. Se realmente esse "vale a pena" que ecoa pelos meus pensamentos essa noite vingar, eu aguento os tapas na cara que recebi e vou receber. Que venham os terremotos, as erupções vulcânicas, as tormentas que forem. Eu vou ficar de pé e lutar com a esperança que carrego no peito. E assim que passar, vou procurar cada pedaço espalhado no chão, vou juntar todos com muito cuidado e refazer o meu tesouro exatamente como ele era, torna-lo esplêndido mais uma vez. Vou buscar seu brilho, vou vencer o furacão, vou vê-lo reluzir como só ele reluz. Após todo o caos o valor de cada sorriso vai inflacionar, a esperança no meu peito vai evoluir pra algo maior, meu tesouro vai adquirir mais valor e todos cresceremos juntos até alcançar a primeira nuvem branca. Desde quando decidi ficar aqui de pé dois fatos se fizeram claros, que eu não tenho medo do furacão e que se reluz, pra mim é ouro. Sem desculpas, estou parado aqui de pé até então. E vai ser melhor, vai ser melhor!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Estranho, pois não.



Continuamente seguindo o tal do instinto, segmentando padrões de comportamento e constâncias de personalidade. A missão é dura e ao concluí-la nada de mérito, nada de medalha, nada de parabéns acompanhado com um leve tapa no ombro. Eu até gosto do gostar, "até" nada, eu gosto de gostar, eu não corrijo o que não é necessário ser corrigido, é gosto mesmo. Até eu mesmo me estranho as vezes, em muitas vezes muitas delas são iguais. Deslizar suavemente e descobrir que o anseio de talvez poder cair, talvez levantar de novo, talvez se erguer e bater no peito pra seguir em frente no talvez. Apruma essa vontade, exija de si o que é de direito exclusivamente seu e de uma pessoa a mais, erga-se! Palavras de auto-conforto/ajuda, onde já se viu? Quando manda-se um beijo, quando fala-se que é a melhor coisa do mundo, quando inclina-se a não obter algo por simplesmente querer o melhor, não pra si, mas pra o que lhe detém o mais belo "querer bem". Veja bem, não que seja simples o fato de querer, mas que é complexo o fato que querer bem, que não seja descomplicado um dia pra não perder a graça do inusitado. Eu não sei, e mesmo que soubesse não contaria nada, nem pra mim mesmo, pra não ter a chance de quem sabe saber do final do filme antes de terminar de vê-lo. No enfim que me cerca há um "to be continued" ao término do episódio, e que assim seja!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Falso Retrato


Fotografei, você não viu
Verdade no meu olhar
Felicidade não sorriu
Fingiu somente que estava lá

Me revelei, você despiu
Tristeza em todo lugar
Mentiu tão bem que nos uniu
Um bom motivo pra me lembrar que

Quando percebe o desgosto do gasto
E gosto da farsa
Disfarça que não tem tamanho
Nem foco, nem brilho, nem alma, nem cor
E ainda desmente que medo não sente
Que tudo é pecado e nada é perdão
Felicidade reinará

E o dia raiou
Tudo em claro e viva cor
O sol em meu mural
Desbota a minha dor

Não paro, passo, faço, me encontro
Num retrato três por quatro
Não me enquadro ao teu lado, não

Emoldurei o fim por vir
Polaroid pra registrar
Revejo assim o que não vi
Retrato que ainda não há

Recordar o que sobrou,
meu sub exposto olhar